DIÁRIO DE BORDO: O tesouro

(Autor desconhecido)

Um homem trabalhava fortemente todos os dias em sua horta.

Ele trabalhava para um dono de fazenda não muito bondoso, mas que se preocupava com seus trabalhadores.

O rapaz era forte, tinha muita vitalidade, um corpo atlético do trabalho, ombros largos e braços fortes.

Em casa tinha uma mulher que o amava, e por mais que tivessem suas diferenças, tinham o mesmo objetivo, cuidar bem de seu filho, que era muito doente e precisava de muito cuidado.

João era feliz ali, não reclamava do que tinha, de sua simples casinha, e ia sempre à igrejinha fazer suas preces.

Toda semana vinha o filho do dono da fazenda visitar seu pai. O rapaz chegava em um conversível importado, óculos de sol no rosto, calças de marca, botas de couro, enfim, ostentava muita riqueza.

O rapaz chegava contando histórias que para João pareciam fascinantes, de prédios gigantes, de negócios fechados, baladas, mulheres, jogos. Para João, aquilo deveria ser o paraíso, mas impossível para ele, que retinha todo o pouco dinheiro que ganhava trabalhando para seu filho, pois era de cama e precisava de muitos cuidados.

Todas as noites, João rezava sozinho, agradecia pelo que tinha, mas pedia que tivesse aquela vida do filho de seu patrão.

Em uma noite Jesus aparece a João em sonho, e com todo carinho vai logo dizendo:

– João, meu filho. Todas as noites escuto o mesmo pedido teu. Acontece que quando veio a Terra eu te ofereci a possibilidade de se afastar dos vícios por ter sido uma pessoal muito boa em outras vidas, mas parece que não é essa sua vontade. Reclama de que seu filho seja doente, mas foi só por causa de todas as tuas preces que permitiram que aquele espírito viva, pois era certo de que precisava morrer logo. Te dei os melhores tesouros que pude, um corpo muito bem formado, ar puro, águas e alimentos não prejudicados pela ação do homem, permiti que ficasse com sua mulher que era de outro, e principalmente, te mandei para um lugar afastado das avarezas, dores, ganâncias, paixões, tédios, e muitos vícios que se encontram nas grandes cidades, mas se essa é a sua vontade te oferecerei uma chance para mudar de vida. Você terá a chance, mas lembresse, a escolha será sua.

Poucas semanas depois, eis que o filho do chefe se encontrava muito doente, e ficara internado no hospital lá da cidade. Seu patrão resolvera ir visitar o filho, e para tanto usava o jipe que tinham, acontece que o motorista da família estava ocupado com as funções da fazendo, carregando cargas para outros cantos do país. Para tanto o chefe de João chegou até ele:

– João, sempre foi homem fiel a mim, mas lembresse que sempre fui fiel a ti também, ajudando com os remédios de seu menino. Acontece que agora é o meu que está mal, e pretendo ir para a cidade, e preciso de um motorista, se quiser pode me levar, mas não se preocupe, qualquer coisa peço a outro criado.

João pensou em seu filho, que se fosse, deixaria-o aos cuidados únicos de sua mulher, mas também era a grande oportunidade de conhecer a cidade que sempre ouvira nos contos. O chefe se levanta e vai dizendo:

– Deixe João, eu irei pedir a outro, afinal qualquer um pode me levar.
– Não senhor, eu levo o senhor.
– Mas João lembresse que não temos data pra voltar, e seu filho é muito adoecido, fique!
– Se o senhor me permitir eu gostaria de ir.
– Certo, partimos depois de amanhã.

E João foi, para o homem que só havia dirigido na roça se saiu até que muito bem.

O quadro do filho do patrão piorou e seu patrão permitiu que João fosse para a fazenda, pois não sabiam o tempo que iria demorar.

João quis ficar, com o dinheiro que seu chefe o dava, comprava roupas novas, passeava pelas ruas, principalmente à noite. Acabou dormindo com prostitutas em primeiro lugar, passava em bares e bebida muito, perdendo a noção dos valores, acabando devendo aos donos dos bares. Em jogatinas fez dívidas que somente seu patrão não podia pagar, acabou tendo de trabalhar como pedreiro em construções que via acontecendo.

Dormia em pensões, e gastava todo o resto de seu dinheiro que ganhava, que era muitas vezes maior do que o que ganhava na horta, em bebidas e mulheres.

Se tornou rapidamente viciado em álcool, jogatinas, e arrumou mulheres por toda a cidade que apenas serviam para alimentar sua fome por sexo, pois nada de sentimento tinha em seus atos.

Com o passar do tempo esquecera a família que outrora tivera, e nem mais dinheiro mandava à sua “antiga” família.

Essa história nos mostra que devemos pensar bem quando reclamamos de nossa vida. De que não podemos ter isso ou aquilo, de como somos ou estamos, e de quem está no nosso lado. Tomar cuidado com o que pedimos, e principalmente, nos alertarmos para os vícios e as verdadeiras riquezas do mundo.

Texto enviado por Felipe Vasconcellos – Casa de Timóteo

Faça como o Felipe e mande o seu texto para mocidadeabc@gmail.com

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